A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Fernandópolis recebeu nesta quinta-feira (20) uma programação da Semana de Combate à Violência contra a Mulher, com foco nas moradoras da zona rural.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 3 mil pessoas vivem na área rural de Fernandópolis. A maioria é formada por mulheres, que também precisam ter acesso à rede de proteção e aos canais de denúncia contra a violência doméstica e familiar.
Durante o encontro, representantes de diferentes setores destacaram a importância de ampliar a divulgação dos mecanismos de denúncia e de não silenciar diante de situações de violência.
O secretário municipal de Agricultura, Waldir Bassan, abriu a programação e ressaltou que a pasta também tem papel na discussão e no enfrentamento do problema. Segundo ele, muitas mulheres estão diretamente inseridas nas atividades do agronegócio e enfrentam desafios próprios do ambiente rural.
A Polícia Ambiental chamou atenção para uma dificuldade comum na zona rural: a comunicação em situações de emergência. Segundo uma representante da corporação, vítimas podem ter dificuldade para informar com precisão o endereço onde estão, o que pode atrasar a chegada do socorro.
Uma das orientações apresentadas foi o uso do Google Maps para auxiliar na identificação da localização exata por meio de coordenadas geográficas. A Polícia Militar também informou que mantém patrulhamento diurno e noturno na área rural como forma de prevenção.
Saúde também atua na identificação dos casos
A Secretaria Municipal de Saúde foi outro destaque da programação. Segundo a coordenadora de projetos, Josiane de Matos Vanzea, os agentes comunitários mantêm contato frequente com moradores da zona rural e podem contribuir para identificar situações de violência dentro das residências.
Josiane destacou que a proteção da mulher também passa pela preservação da saúde física e mental. O programa Saúde no Campo tem buscado ampliar o atendimento às moradoras rurais e, durante o evento, foram oferecidos serviços como consultas, aferição de pressão arterial, testes de glicemia, testes rápidos e orientações de saúde.
A coordenadora também ressaltou a necessidade de atenção aos filhos das mulheres atendidas, incluindo a importância da vacinação e do acompanhamento de saúde.
Dados sobre feminicídio são apresentados
A advogada Vanessa Buosi, do projeto OAB Para Elas, participou das atividades e apresentou dados relacionados à violência contra a mulher. Segundo os números citados por ela, 1.571 feminicídios foram registrados no Brasil no ano passado, uma média de aproximadamente quatro mortes por dia.
Vanessa também destacou a importância da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, e falou sobre as mudanças sociais e jurídicas relacionadas aos direitos das mulheres.
Segundo a advogada, historicamente as mulheres foram submetidas a relações de dependência e a restrições impostas pelos maridos, inclusive para trabalhar fora de casa.
Mulheres no agronegócio
A programação também contou com a participação das Agroligadas. Elisa Bassan falou sobre a presença feminina no agronegócio e a importância da autonomia financeira para as mulheres que vivem no campo.
Ela citou cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que podem contribuir para a capacitação profissional e a geração de renda entre moradoras da zona rural.
O encontro foi encerrado com a participação da Orquestra de Violeiros de Fernandópolis, que recebeu elogios do público.