As mortes no trânsito provocadas pelo consumo de álcool no Brasil caíram 19,5% ao longo de 14 anos, mas o percentual poderia ter sido ainda maior.
Um relatório do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool revela que a combinação entre álcool e direção causou 11,6 mil mortes no país em 2020, contra 15 mil registradas em 2010.
No entanto, o número de vítimas fatais voltou a crescer após a pandemia de covid-19. Em 2024, foram registradas 13.075 mortes desse tipo em todo o território brasileiro, acendendo um sinal de alerta para as autoridades de trânsito.
De acordo com o levantamento, o principal motivo para esse retrocesso é a maior capacidade dos motoristas de driblar as blitze por meio de aplicativos de navegação e grupos de mensagens, somada à forte sensação de impunidade.
O perfil das vítimas continua concentrado nos homens jovens, que lideram as estatísticas de acidentes de trânsito relacionados ao consumo de álcool.
Regionalmente, 18 estados brasileiros apresentam taxas de mortalidade por 100 mil habitantes acima da média nacional, que é de 6,2. Os maiores índices foram registrados em Tocantins, Piauí e Mato Grosso.
Para reverter essa tendência de alta, especialistas defendem que o poder público vá além das campanhas educativas baseadas no medo, que costumam apresentar resultados apenas no curto prazo.
A recomendação é intensificar as operações com bafômetro durante as madrugadas e nos fins de semana, ampliar a percepção do risco real de punição e, principalmente, oferecer alternativas viáveis e acessíveis de transporte noturno para a população.