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Nove em cada dez pessoas já foram alvo de tentativas de golpes digitais no estado de SP
As ações foram feitas por meio de mensagens, ligações ou e-mails; 40% da população comprou em lojas virtuais inexistentes
Por JORNALISMO EDUCADORA
Publicado em 30/01/2026 08:06
GERAL
A intensificação do uso das tecnologias de informação e comunicação ampliou as oportunidades de interação digital, mas também aumentou de forma significativa os riscos associados à segurança online

Mensagens suspeitas, ligações silenciosas que caem e pedidos de dinheiro duvidosos tornaram-se parte do cotidiano dos moradores de São Paulo. Um estudo inédito da Fundação Seade, realizado em 2025, aponta que 88% dos moradores do estado de São Paulo, o equivalente a cerca de 30 milhões de pessoas, já foram alvo de tentativas de golpe por meios digitais.  

As investidas ocorrem sobretudo por meio de mensagens, chamadas telefônicas ou e-mails, além de pedidos de dados pessoais, ofertas falsas, perfis em redes sociais e solicitações de transferência via Pix. 

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“A intensificação do uso das tecnologias de informação e comunicação ampliou as oportunidades de interação digital, mas também aumentou de forma significativa os riscos associados à segurança online. Hoje, praticamente toda a população está exposta a tentativas de fraude”, aponta o estudo da Fundação Seade. 

Golpes consumados 

E não se trata apenas de tentativas. O levantamento revela que 40% da população afirmou já ter feito compras em lojas virtuais que simplesmente não existiam, um dos golpes mais comuns da atualidade. Além disso, 24% disse ter sido vítimas de fraude ou clonagem de cartão bancário nos últimos 12 meses, enquanto mais de um terço dos entrevistados declarou ter perdido dinheiro com golpes digitais e não conseguiu recuperar o valor.  

Pix

Outro dado que chama atenção é o risco de golpes via Pix. Um em cada quatro moradores do estado foi vítima de golpe ou tentativa de golpe por essa forma de pagamento. Esse montante representa aproximadamente nove milhões de pessoas. A pesquisa identificou ainda que 15% da população já foi vítima de algum tipo de golpe em maquininha de cartão (em torno de 5 milhões de pessoas). 

Perfil das vítimas 

O levantamento mostra ainda que quanto maior o uso da internet, maior a probabilidade de exposição aos golpes. Pessoas entre 30 e 59 anos, com ensino superior e renda mais alta, estão entre os principais alvos das tentativas. A sensação de vulnerabilidade é mais intensa entre idosos, pessoas com menor escolaridade e de famílias mais pobres, que se reconhecem como mais suscetíveis aos riscos digitais.  

A percepção da população acentua esse cenário: 95% dos entrevistados acreditam que os golpes estão aumentando e apenas 12% se dizem muito confiantes de que não serão vítimas de fraudes virtuais. 

A pesquisa indica que os golpes online se tornaram recorrentes, criando riscos permanentes para quem navega na internet e reforçando a necessidade de cuidado constante com aplicativos, redes sociais, transações e compras digitais.

Sobre o Seade 

Há mais de 40 anos, o Sistema Estadual de Análise de Dados é referência nacional na produção e disseminação de análises e estatísticas socioeconômicas e demográficas do Estado de São Paulo.

Segurança

A Secretaria de Segurança Pública tem implantado medidas e feito operações para prender estelionatários e criminosos digitais no estado. Entre as ações estão fechamento de falsas centrais de golpes e de falsas centrais bancárias especializadas em golpes contra idosos.

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Uma das medidas foi a consolidação da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), um um cenário marcado pelo crescimento de crimes praticados no ambiente digital. A unidade especializada fechou o ano de 2025 com 353 casos solucionados, o que representa uma média de quase uma ocorrência esclarecida por dia no estado.

Os resultados, segundo o delegado e divisionário da DCCiber, Paulo Barbosa, refletem a atuação integrada entre investigação policial e inteligência técnica. A unidade conta com o Centro de Inteligência Cibernética (CIC), formado por policiais com conhecimento técnico avançado na área da informática, conhecidos pelos demais integrantes da divisão como “hackers”.

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